20/12/2018

Missões do Sertão aos Balcãs [minhas impressões]

Que mensagem é essa? 
Tão importante que leva um casal com seus 3 filhos a deixar sua vida estabilizada no Brasil para viver na Albânia, um pais majoritariamente muçulmano com uma língua extremamente diferente, uma cultura diferente e as vezes temperaturas abaixo de zero.
Que mensagem é essa?
Tão importante que mesmo em meio a afrontas e crises financeiras faz os servos de Deus perseverarem por saberem quem os chamou para anunciar a mensagem.

Terminei de ler ontem “Missões do Sertão aos Balcãs” e o que percebo é que o SENHOR está trabalhando! Deus está em missão Mundo! Aquela Voz de Isaías 6 continua ecoando: “A quem enviarei, e quem há de ir por nós?”
Conheci o casal de missionários José de Anchieta e Nelimar Dias na Conferência Missionária Antioquia desse ano de 2018 e fui impactado com o testemunho e ousadia desses servos do Senhor.

Recomendo a leitura a todos aqueles que amam a obra missionária e que desejam cumprir seu chamado no Reino de Deus.

20/09/2018

RESENHA do livro Assim está escrito de Henry Cornell Geerner

   O livro trata sobre a teologia de missões esforçando-se para mostrar ao leitor os claros ensinamentos contidos nas Escrituras concernentes a um Deus que desde o princípio tem um propósito UNIVERSAL em relação ao homem. Essa obra refuta todos os argumentos “bairristas” que a igreja possa ter com o fim de permanecer em uma situação confortável, fugindo assim de sua verdadeira responsabilidade: A evangelização do mundo.

Leia a resenha: https://drive.google.com/file/d/1Gjw-JCJKSqwXW22MHWLLYfOVLzqqgnDk/view

27/08/2018

Missionário Charles T. Studd por Hernandes Dias Lopes



Charles T. Studd – que deu sua fortuna e saúde por Cristo – foi um missionário inglês que fielmente serviu seu salvador na China, Índia e África. Seu lema era: “Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício que eu fizer será grande demais para Ele”.
A maioria dos missionários pioneiros tiveram o início de suas vidas tanto em humildes quanto em obscuras circunstâncias, com recursos financeiros limitados e poucas oportunidades de uma educação adequada. Mas Charles T. Studd é uma exceção a essa regra. Seu pai, Edward Studd de Tidworth, Inglaterra, fez fortuna na Índia e aposentou-se na Inglaterra para desfrutá-la.
O pai de Charles T. Studd converteu-se a Cristo através do ministério de D.L. Moody e Ira Sankey em Londres, no ano de 1877. Logo a ambição pelo turfe (nobres corridas de cavalo) foi trocada pelo desejo de servir e honrar a Cristo.
Charles T. Studd nasceu na Inglaterra, em 02 de dezembro de 1860. Ele (e seus irmãos) foram levados a Igreja, mas C.T. Studd – como ele era chamado – considerava que ir a Igreja era como ter uma grande dor de dentes. Ele disse: “Eu nunca encontrei uma pessoa realmente convertida”.
Charles T. Studd e seus dois irmãos foram mandados para o Colégio Eton, uma das mais famosas escolas inglesas. Quando Charles T. Studd tinha apenas 16 anos de idade, ele se destacou no jogo de críquete e em 1879 se tornou o capitão do time.
Após sua conversão, Edward Studd se tornou extremamente preocupado com a conversão de seus filhos. Ele os levou para ouvir as perscrutantes mensagens de D.L. Moody. Um evangelista que foi convidado a se hospedar na casa dos Studd foi usado por Deus para levar o jovem Charles T. Studd para Cristo. Em 1880 Charles T. Studd ingressou na Universidade de Cambridge, na qual ele continuou seus estudos até o ano de 1883. Foi durante esse período que ele dedicou sua vida e toda a fortuna que herdaria para Cristo.
Quando James Hudson Taylor – fundador da Missão no Interior da China – visitou a Inglaterra, o candidato a missionário, Charles T. Studd, ofereceu a si mesmo para o trabalho na China. Aquele foi o passo inicial para o que ficaria famoso como “Os Sete de Cambridge” (grupo de sete estudantes da universidade que foram como missionários à China), entre os quais merece ser citado D.E. Hoste, que anos mais tarde se tornaria o diretor geral da Missão no Interior da China.
Aos 05 de fevereiro de 1885 eles velejaram para Shangai, China, chegando em 18 de março de 1885. Três anos depois Charles T. Studd casou-se com Priscilla Livingstone Stewart. Em 1894 os Studds, seriamente doentes, voltaram para a Inglaterra. Eles cortaram sua ligação com a Missão no Interior da China e entregaram à missão o prédio que eles haviam adquirido lá.
Em 1912 Charles T. Studd recebeu seu chamado de ir para a África. O missionário que havia servido tão fielmente na China agora formou a “Missão ao Coração da África” e, como um pioneiro juntamente com seu genro, Sr. Alfred Buxton e outros, velejou para o novo “campo” na África. A Sra. Studd e duas de suas filhas permaneceram em casa para cuidarem das responsabilidades secretariais tanto da base quanto do campo missionário.
Em 16 de outubro de 1913 o grupo chegou ao território de Niangara, junto ao rio Welle, no próprio “coração” da África. Deus abençoou grandemente seus esforços para ganhar almas. O primeiro culto batismal foi realizado quando 12 convertidos pagãos declararam publicamente sua fé em Cristo.
Gilbert Barclay, outro genro do Sr. e Sra. Studd, ingressou em seu serviço missionário em 1919. Com a visão de que seus trabalhos deveriam ser mundiais, eles rebatizaram a missão para “Cruzada Mundial de Evangelização”. A missão continuou crescendo, ganhando confiança entre o povo de Deus nas suas próprias nações e estendendo-se para os mais remotos e duros campos de esforço missionário.
As orações de Charles T. Studd eram para que ele pudesse morrer a morte de um soldado no campo de batalha para Cristo e não ser um peso para outros, durante meses e anos como um inválido. Em 1927 a Sra. Studd fez uma breve visita a África, quando ela viu seu marido pela última vez. Ela morreu (enquanto estava na Espanha) em 1929. Charles T. Studd morreu na estação da missão, em 16 de julho de 1931. A última palavra sua que pôde ser entendida foi: “Aleluia”! No dia de seu funeral lá estavam perto de sua sepultura cerca de 50 missionários e 2000 homens negros, incluindo vários chefes tribais.
Talvez seja bom dizer que ele deu alegremente sua saúde e sua fortuna para ganhar almas para Cristo. A vida e obra de Charles T. Studd para Cristo será sempre uma exortação contra toda forma de Cristianismo que procura por conforto egoísta e facilidade.
Abaixo, algumas frases de Charles T. Studd:
“Eu não posso lhe contar a alegria que tive ao levar minha primeira alma ao Senhor Jesus Cristo. Eu experimentei quase todos os prazeres que esse mundo pode dar. Eu não consigo lembrar se houve algum prazer que não tenha experimentado, porém eu posso lhe dizer que aqueles prazeres não são nada em comparação com a alegria que a salvação daquela única alma me deu”.
“Eu compreendi que minha vida deveria ser simples – semelhante à fé de uma criança – e que a parte que me cabia era crer, e não fazer. Eu deveria confiar e Ele trabalharia em mim para que eu fizesse seu bom prazer. A partir desse entendimento minha vida foi diferente”.
Expressando a liderança agressiva que lhe era peculiar em seus empenhos espirituais, Charles T. Studd escreveu:
“Preguem as bandeiras no mastro! Essa é a coisa certa a fazer e, portanto, é o que devemos fazer, e fazer agora. Que bandeira? A bandeira de Cristo, o trabalho que Ele nos deu a fazer: a evangelização de todos os não-evangelizados. Cristo não deseja os homens que beliscam o possível, mas cobiçosos do impossível, pela fé na onipotência, fidelidade e sabedoria do Todo-Poderoso Salvador que deu a ordem. Há uma parede em sua vereda? Pelo nosso Deus nós iremos saltar sobre ela! Existem leões e escorpiões em seu caminho? Nós os pisaremos debaixo de nossos pés! Uma montanha barra seu progresso? Dizendo: “Lança-te ao mar” nós marcharemos em frente. Soldados de Jesus: Nunca se rendam! Preguem a bandeira no mastro!”
Em uma carta escrita pouco antes de sua morte, Charles T. Studd reviu sua vida com esse resumo:
“Como creio que estou perto de partir desse mundo, tenho apenas algumas coisas pelas quais me regozijar:
1. Que Deus me chamou a China e eu fui a despeito das extremas oposições de todos os meus amados.
2. Que eu alegremente agi como Deus disse para o jovem rico agir.
3. Que eu deliberadamente – diante do chamado de Deus – quando sozinho no vapor (navio) Bibbly em 1910, entreguei minha vida para esse trabalho, que deve prosseguir não apenas pelo Sudão, mas por todo o mundo não-evangelizado.
Minhas únicas alegrias, portanto, são que quando Deus me deu um trabalho para fazer, eu não o recusei”.
“(…) eu não digo “Não participe de jogos ou do críquete e assim por diante”. Por todos os meios, jogue-os e se alegre neles. Apenas tome cuidado para que os jogos não se tornem um ídolo para você como eles foram a mim. Que bom propósito há para qualquer um no mundo vindouro ter sido o melhor jogador que já existiu? E, então, pense acerca da diferença entre isso (os jogos) e o ganhar almas para Jesus”.
Traduzida da versão de Stephen Ross, para WholesomeWords.org do livro Pioneer Missionaries for Christ and His Church (Missionários Pioneiros por Cristo e Sua Igreja) por Thomas John Bach. Wheaton, Ill: Van Kampen Press, 1955. Todos os direitos reservados. Biografia protegida por direitos autorais.

Missionário Alexander Duff por Hernandes Dias Lopes




Missionário e Mestre Cristão na Índia

Alexander Duff (1806-1878) foi um missionário presbiteriano escocês enviado à Índia. Ele foi o primeiro missionário enviado além-mar pela Igreja da Escócia e que se notabilizou porque, na evangelização de hindus e muçulmanos, criou uma estratégia que, mesmo tendo sido mal compreendida inicialmente, terminou sendo popularizada por missionários de todo o mundo.

O missionário escocês era um homem que havia se preparado teológica e secularmente para servir a Deus. Era piedoso e um exímio ensinador. Porém, ao chegar à Índia em 1830, encontrou dificuldades para ganhar vidas para Cristo. As comunidades hindus e muçulmanas eram, à época, extremamente fechadas e Duff não sabia como penetrá-las com a mensagem do Evangelho. Até que, depois de perceber que as crianças indianas não estavam recebendo ensino adequado nas escolas Bengali, ele orou a Deus e sentiu da parte do Senhor a aprovação para criar uma escola diferente para hindus e mulçumanos na Índia. Nela, eles teriam educação de qualidade, aprendendo as ciências de forma a não deixar a desejar a nenhuma instituição de ensino européia, e também seriam apresentados a princípios da fé cristã.

A escola de Duff começou com cinco alunos, mas chegou rapidamente a 300. Ela atraía principalmente pais da elite indiana desejosos a dar a seus filhos uma educação de melhor qualidade, mas sem precisar enviá-los à Europa. A educação era em inglês. Na escola, os alunos primeiro aprendiam o inglês para depois estudarem as demais matérias.

Apesar do sucesso da instituição, que influenciou o governo indiano a mudar a sua política educacional no país, investindo em um ensino de melhor qualidade, Duff chegou a ser criticado por seus irmãos em Cristo na Escócia porque sua estratégia de envagelização por meio de uma instituição de ensino secular dera poucos resultados. Em três anos de fundação da escola, só quatro indianos haviam se convertido. Mas, Duff prosseguiu. Sua visão era de que suas escolas (em pouco tempo, abriria outras) acabariam minando a resistência entre os hindus e muçulmanos aos ocidentais e, assim à mensagem do Evangelho.

Depois de anos de ensino e milhares de alunos, o missionário voltou à Escócia deixando na Índia uma igreja com 33 membros. Aos olhos humanos, foi considerado, por muitos, ineficiente. Entretanto, os anos seguintes provariam o contrário. Depois da morte de Duff, alguns de seus alunos, por serem de alta classe social, pessoas de grande influência na sociedade indiana, começaram a ganhar muitas vidas para Cristo. Assim, o Evangelho começou a se propagar na Índia, conquistando milhares de vidas, e o aparente fracasso se mostrou, mais à frente, uma vitória. Tanto que outros missionários passaram a imitá-lo mundo afora, acrescentando à sua atividade evangelizadora a fundação de instituições de ensino nos países onde eram enviados para evangelizar.

O ardor de Alexandre Duff

O missionário escocês na índia, Alexander Duff, regressou à sua pátria para morrer lá, depois de uma árdua luta. Em uma reunião em sua igreja, pregava, e apelava aos seus patrícios que se apresentassem para o prosseguimento da obra. Ninguém atendia ao seu apelo. Insistia. Nada. Empolgado, desmaiou e foi levado para fora. 0 médico que o atendeu examinava o seu coração, quando repentinamente, Alexandre abriu os olhos, dizendo:
- Eu preciso voltar ao púlpito. Preciso continuar o apelo.
- Fique calmo - aconselhou o médico. O seu coração está muito fraco.
Mas o velho missionário não se conformou. Voltou ao púlpito e continuou o apelo:
- Quando a rainha Vitória convidou voluntários, centenas de jovens se apresentaram. Mas quando o rei Jesus chama, ninguém quer atender. Será que a Escócia não tem mais filhos para atender ao apelo da Índia? - frisou ele.
Esperou um pouco em silêncio e não houve resposta. Depois disse:
- Muito bem. Se a Escócia não tem mais jovens para enviar para a Índia, eu mesmo irei novamente, para que o povo dali saiba que pelo menos um escocês ainda se preocupa com eles.
Quando o veterano soldado de Cristo deixou o púlpito, o silêncio foi quebrado por uma multidão de jovens que se apresentaram:
- Eu vou! Eu vou! Eu vou!
Depois do falecimento de Duff, muitos daqueles jovens foram para a Índia, dedicando suas vidas à obra missionária.


"Rogai pois ao Senhor da seara que mande ceifeiros Para a sua seara" (Mt 9.38).


Invista em Missões! Hernandes Dias Lopes


Oswald Smith e o Investimento em Missões da Igreja do Povo por Hernandes Dias Lopes


26/07/2018

Oswald Smith e o investimento em missões da igreja dos povos

O canadense Oswald J. Smith (1890-1986) aceitou a Cristo com dezesseis anos ao ouvir o famoso evangelista R. A. Torrey. Preparou-se para o ministério e foi ordenado pastor presbiteriano. O seu desejo era dedicar-se à obra missionária mas foi advertido de que era muito fraco fisicamente para enfrentar a dura vida missionária.
Embora desejasse muito, ele não chegou a se tornar um missionário transcultural. Todas as suas tentativas de se estabelecer no campo missionário foram fracassadas em razão de complicações com a saúde; sem contar o fato de ter sido rejeitado como candidato por uma organização missionária. Nem por isso, desistiu de sua visão de alcançar o mundo com o evangelho. Pelo contrário, já que não tinha condições de ir pessoalmente, resolveu enviar outros em seu lugar.
Deus usou-o poderosamente num trabalho que não deixou de ser missionário, pois além de pregar em 80 países do mundo, ainda fundou uma igreja que tem sustentado centenas de missionários.
Oswald Smith fundou a Igreja do Povo, em Toronto, em 1928, e continuou como seu pastor até 1958. Embora seja uma das maiores igrejas do Canadá, a sua fama reside no sustento de missionários através do mundo. 
O seu livro Paixão Pelas Almas, amplamente divulgado pela Junta de Missões Mundiais, teve enorme repercussão; "A tarefa suprema da Igreja é a evangelização do mundo". 
Oswald Smith pregava isso e praticava-o. Foi um evangelista mundial, pregando e ganhando almas em todos os continentes.

23/03/2018

O Poder de Deus em Meio a Uma Tribo Africana por Ronaldo Lidório

No nordeste de Gana, África, um povo vivendo em meio à escuridão espiritual e sem o conhecimento do evangelho. Em nosso continente, a igreja brasileira envia um casal missionário com a proposta de comunicar a Palavra de Deus àquele povo. Assim, Ronaldo e Rossana Lidório chegam até uma região que pela primeira vez ouve a Palavra do Senhor. O evangelho rompeu barreiras, e a igreja nasceu em uma tribo africana.
Essa é a história da ação de Deus entre os konkombas-bimonkpeln.

Ouça a pregação completa: https://youtu.be/YqIlYp3z0fA
Compre o livro que relata essa história:http://www.cpad.com.br/konkombas/p
Leia um pouco mais sobre o trabalho em meio aos Konkombas: http://ronaldo.lidorio.com.br/wp/konkombas-um-breve-historico/

Conheça a série de videos Contos do Campo Missionáriohttps://www.youtube.com/playlist?list=PLRQ0pqRH4MmWlSkRozzx73gxNwqnerCFv

30/11/2017

6 coisas que não me contaram sobre viagens missionárias de curto prazo



Publicado por ultimatojovem
Por Rachel Sousa
 Sempre digo que todo cristão deveria fazer uma viagem missionária de curto prazo pelo menos uma vez na vida. É um engano pensar que missão é uma exclusividade daqueles que tem um “chamado” especial, já que todos são chamados. A ordem de Jesus foi para todos os seus seguidores, para que, enquanto seguem na jornada da vida, preguem o Evangelho e façam discípulos. O chamado é universal, a vocação é pessoal.
Certamente alguns são vocacionados a uma vida dedicada inteiramente ao que chamamos de “missões”; vocacionados especificamente para a pregação do Evangelho e o discipulado das nações. Mas o envolvimento com a proclamação do Evangelho é tarefa para a Igreja de Cristo e, portanto, para todos os cristãos.
E aí entra a importância das viagens missionárias de curto prazo. Nem sempre dispomos de semanas ou meses, mas até mesmo viagens de alguns dias podem despertar nosso coração e gerar bons frutos. Aqui vão seis pontos a serem considerados nesse contexto:
1 – Cuidado com a autopromoção
Em minhas viagens, especialmente no tempo que passei morando em bases missionárias, conheci muitas equipes em viagens de curto prazo. E nelas encontrei de tudo um pouco.
Algumas pessoas infelizmente participam de viagens de curto prazo com o intuito de explorar a realidade de pobreza e sofrimento, para se autopromover em suas igrejas, ou ainda para aliviar a consciência, na ideia de que “fez seu papel”.
Viagens de curto prazo não são para isso! São incríveis oportunidades de, em primeiro lugar, cooperar com aquilo que Deus está fazendo através de seus servos em favor de pessoas que ainda não conhecem o evangelho. Somos cooperadores de Deus, coadjuvantes em seu plano eterno para o homem.
2 – É um tempo de aprendizado intensivo
Viagens de curto prazo são uma ferramenta de Deus para nos ensinar e alinhar nosso coração. Já falei essa frase e também já ouvi dezenas de pessoas dizendo a mesma coisa: “Fui para a viagem acreditando que ia dar algo e acabei recebendo muito mais”.
Nessas viagens somos despertados de nossa maneira de viver, muitas vezes emaranhada em egoísmo e individualismo, centrada em necessidades temporárias. Lembro-me de que quando voltei da minha primeira viagem, sentei e comecei a chorar ao olhar para o meu armário, me perguntando por que precisava de tantas peças de roupa.
Viagens de curto prazo são mecanismos divinos de transformação do nosso caráter, nos revelando nossa dificuldade de trabalhar em equipe, de servir de todo coração, de abrir mão dos nossos direitos em favor do nosso irmão (acredite, os maiores conflitos não vem de choques com a comunidade, mas com os membros da própria equipe e com os missionários locais).
3 – Nada de agir na emoção
A experiência das viagens de curto prazo pode ser uma porta para a missão em tempo integral. Assim como aconteceu comigo, ao experimentarem parte da realidade do campo missionário muitas pessoas são profundamente impactadas com a responsabilidade da pregação do evangelho e veem-se chamadas a responder à ordem de Cristo. Mas é preciso tomar cuidado com as decisões baseadas em pura emoção. Já vi pessoas retornando para o campo depois de uma viagem de curto prazo e, em pouco tempo, não aguentando a pressão.
Se você foi despertado em uma viagem missionária, é hora de investir tempo em oração, colocando o coração diante de Deus até que você receba orientação sobre os próximos passos. Às vezes isso significará investir em estudo e preparo, investimento e suporte financeiro. Pra mim, significou seis meses no escritório, um ano servindo a igreja local e fazendo algumas outras pequenas viagens, dois anos servindo em duas bases missionárias no Nordeste em tempo integral, para ao final desse período retornar para o atual tempo de estudos teológicos e missiológicos, até que eu seja reenviada para um longo prazo no campo missionário.
4 – Cuidado com as promessas
Muitos voluntários em viagens missionárias de curto prazo trocam contatos com a comunidade local e prometem doações e recursos. Outros prometem que voltarão. E, infelizmente, a maioria se esquece de suas promessas uma semana depois de retornar para sua realidade. Já ouvi de moradores locais sobre a decepção com pessoas que nunca sequer responderam a uma mensagem de texto enviada.
Precisamos ser conscientes de que somos representantes de Cristo. Atitudes como essa podem ferir pessoas que começaram a ouvir sobre o evangelho e torná-las indiferentes aos esforços dos missionários locais.
5 – Impacto evangelístico x Projeto de longo prazo
Já começo dizendo que não sou contra impactos evangelísticos, de forma alguma! Porém, particularmente, não sou incentivadora de viagens focadas em impacto evangelístico em locais que ainda não tenham uma igreja local sendo plantada ou um missionário trabalhando em um projeto de longo prazo, ou, ainda, se a igreja enviadora não está assumindo a responsabilidade de iniciar um projeto após o impacto no local. Explico o motivo.
Temos a responsabilidade, como Igreja, não apenas de pregar a todas as nações, mas de fazer discípulos. Isso significa cuidar, acompanhar, ensinar. E isso leva tempo. Impactos evangelísticos rendem frutos maravilhosos para o Reino, como curas, libertação e conversão. Contudo, se não houver quem cuide dessas pessoas, o risco de sincretismo é enorme.
Por isso incentivo que igrejas locais invistam esforços de viagens missionárias em locais que já dispõem de missionários em tempo integral, especialmente em projetos em fase inicial. Dessa forma, saberemos que pessoas alcançadas durante o impacto evangelístico continuarão a ser cuidadas e ensinadas depois que a equipe for embora.
6 – Esteja disposto a trabalhar em equipe
Tenha uma mentalidade de serviço em relação à sua equipe e, especialmente, aos missionários locais. Conflitos interpessoais no contexto missionário são mais do que comuns. Seja pelo choque cultural, seja pelas dificuldades pessoais de interação, a verdade é que em toda viagem teremos situações de conflito.
Em uma das minhas primeiras viagens, estava servindo com uma equipe de coreanos de primeira geração, e eu era a única brasileira e a mais jovem do time. Embora eu seja de uma igreja coreana e já estivesse habituada a algumas diferenças no trato pessoal, nada me preparou para aquela viagem.
Um ano antes eu tinha liderado uma equipe para o sertão do Piauí, então eu acreditava piamente que já sabia como fazer esse tipo de viagem. Mas experimentei de tudo um pouco. A dificuldade de comunicação (apenas duas pessoas conseguiam traduzir para mim, pois toda a comunicação era em coreano) me levou a cometer diversos erros, porque não havia recebido os avisos de forma correta, o que levou a má interpretação por parte da liderança, que acreditou que eu estava desafiando-os.
Fui severamente repreendida na frente de todos os outros membros da equipe (líderes, não façam isso, por favor), o que me levou a tentar argumentar e explicar o meu ponto de vista sobre o que estava acontecendo. Contudo, na cultura coreana, argumentar diante de uma repreensão é tão ofensivo quanto gritar e bater em alguém. Imaginem a situação!
Na época, meu pensamento era o de que estava sendo tolhida em tudo aquilo que acreditava que carregava como talento no campo missionário. Não tinha liberdade para interagir com as pessoas da base e seus projetos, não podia ministrar livremente nas atividades que realizámos.
Graças a Deus tive um pastor coreano que me abraçou como filha e que começou a me ensinar como sua cultura interpretava determinadas atitudes e me direcionando em relação a como eles esperavam que eu me comportasse. A viagem terminou bem, mas levei algum tempo para me recuperar e entender o que Deus queria me ensinar nesse tempo. Hoje conto sobre ela com a certeza de que foi fundamental para me quebrar e me ensinar preciosidades sobre meu caráter e sobre missões que, de outra forma, eu talvez não aprendesse.
Algo essencial e geralmente esquecido pelas equipes de viagens de curto prazo é o fato de que estamos servindo um trabalho em andamento. Valorizem os missionários locais. Perguntem qual é a melhor forma de executar os planos. Ouçam informações sobre a comunidade local, suas preferências, seu histórico. Seja humilde, assuma uma postura de aprendiz e não de professor, de receptor e não apenas de doador. Permita que esse tempo seja uma experiência profunda e transformadora com Deus.
UM RECADO FINAL
Acredito em uma grande colheita, pois os campos estão brancos. Acredito em uma Igreja Gloriosa que se levanta entre as nações e proclama audaciosamente o evangelho de Cristo Jesus. Acredito em jovens e velhos respondendo à pergunta que tem ecoado por gerações: a quem enviarei?
Minha oração é pelo despertamento dos últimos dias. Por um derramar do Espírito sobre a Igreja, para que levantem os olhos de seus próprios umbigos e vejam os campos brancos. Homens e mulheres que não amaram suas próprias vidas mais do que a Glória de Deus entre os povos.
Permita-se ser tocado e transformado por aquilo que Deus está fazendo entre as nações. Disponha-se a ser um cooperador de Deus!
Rachel Sousa, 29 anos. Natural de Brasília, mora em São Paulo há 10 anos e congrega na Igreja Missionária Oriental de São Paulo (IMOSP). Cursa o mestrado em Missões no Seminário Teológico Servos de Cristo.

Fonte: Ultimato
Link: http://ultimato.com.br/sites/jovem/2017/11/23/6-coisas-que-nao-me-contaram-sobre-viagens-missionarias-de-curto-prazo/?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Boletim+Jovem+138
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...